Crime e Castigo – Volume II

É o fim de uma era. Terminei de ler Crime e Castigo no delicioso domingo chuvoso da semana passada. Quase nada me deixa tão feliz quanto ter uma chuvinha de plano de fundo para as minhas leituras. Vocês também se sentem assim? Bom, consegui concluir os dois livros em três meses – entre idas e vindas, pausas e recomeços.

Não é uma obra fácil de ser lida, como falei no post anterior, mas o volume II pareceu engatar de um jeito mais natural. Consegui ler 100 páginas dele em um dia, o que me mostrou como estava mergulhada totalmente naquele universo. Mas também pudera, há tantas reviravoltas acontecendo que eu só queria saber no que tudo isso ia resultar.

Nesse volume, não fiquei tão confusa com os nomes porque Dostoiévski não nos apresenta novos personagens. Ele cria a trama nos círculos de convivência que criou no volume I e continua o drama de Ródion sobre o crime cometido. É impressionante como o protagonista vai se sufocando com o assunto pouco a pouco. Tive o prazer de poder acompanhar isso e ainda fico bastante encucada: como é que o autor consegue ser tão foda assim? Os detalhes dos pensamentos e angústias são tão precisos que até parece que ele estava vivendo aquilo no momento.

Um personagem que aparece mais frequentemente – e vai ser bastante importante para o desfecho do enredo – é o Svidrigáilov, que é viúvo, ex-patrão de Dúnia (irmã de Ródion Raskólnikov) e é um dos pretendentes a seu futuro marido. Infelizmente, seu outro pretendente é Lújin, que configura, junto com Svidrigáilov, uma dupla cruel e misógina. Eles são donos dos discursos mais nojentos do livro, daqueles que você tem só vontade de chegar com uma voadora na cabeça de alguém.

A obra dá vozes independentes aos personagens. Eles possuem um modo de falar muito distinto e cada um tem seus próprios valores morais, crenças e convicções próprias. E, durante todo o livro, tive a impressão de que, o que narrava os acontecimentos, eram os diálogos entre essas personalidades tão diferentes. O narrador tem uma presença bem contida diante de tantas falas e pensamentos. Como se ele apenas quisesse mostrar algo que estava acontecendo – e não narrar o ocorrido.

Quanto à edição, a minha é da Clássicos Abril Coleções, que estava à venda há um tempo por preços incrivelmente acessíveis. Essa coleção saiu das livrarias e bancas de jornal, então, você deve encontrar apenas em sebos agora. A vantagem do livro é que ele é bem leve por conta do papel, então, não cansa ficar segurando. A tradução é de 1949, então, possui algumas expressões bem diferentes das que usamos hoje. Provavelmente a tradução da Editora 34 deve ser diferente  – e mais atual, claro.

Um enredo que mostra a humanidade e o caráter existente em um assassino e uma prostituta, pessoas que são naturalmente marginalizadas pela sociedade. Dostoiévski levanta questionamentos de uma moral hipócrita e a tensão que ronda personagens em uma profunda miséria econômica. O final do livro não é extremamente surpreendente, mas é o resultado de uma construção riquíssima da história. Para quem quiser ler, eu digo: vá em frente! :)

- E, para mim, com todas as suas qualidades, o senhor não vale o dedo mindinho dessa infeliz moça a quem insulta. (p. 39)

O coto da vela acabava de consumir-se no castiçal torcido e iluminava fracamente aquele cômodo miserável, onde um assassino e uma prostituta se haviam tão estranhamente unido para lerem o Livro Eterno. (p. 71)

No Flickr: Elisa Azevedo

A sensibilidade de Elisa Azevedo encanta. Ela é de Portugal, tem 18 anos e começa a calcar a sua caminhada pela fotografia. Encontrei o seu trabalho no Tumblr e fiquei apaixonada. Separei as minhas preferidas que encontrei no seu Flickr.

Para continuar seguindo, ela também tem um tumblr pessoal. :)

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Sunday Links #18

Depois de mais de um mês sem a link party do Teoria Criativa, venho aqui pedir desculpas pra todo mundo que esperou… e esperou… e esperou… e nada de post. Vou fazer o possível para manter a regularidade – domingo sim, domingo não – e não abandonar essa seção que eu gosto tanto no blog (e vocês também! :D).

Hoje, domingo de eleição, prometo não me prolongar no assunto, porque já sei que vocês estão saturados disso. Mas aqui no meio tem um link que eu acho de extrema importância para botarmos a mão na consciência. Enfim. A partir de agora, vou dar férias indeterminadas à gatinha-propaganda do Sunday Links, hahaha. Quero tentar um novo formato, espero que ela não fique chateada. :P

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• Is this the end of fashion blogging?
Em um estudo recente feito com 1.500 mulheres mostrou que elas já não se interessam tanto por blogs de moda. Elas preferem ver receitas, dicas de saúde e tutoriais de faça-você-mesmo para casa, antes de qualquer conteúdo fashion. Nesse link, a autora mostra (em inglês) como é importante ir além da superficialidade – e reforça o quanto é importante ser transparente e coerente com os leitores.

• O que o amor (e as eleições) tem a ver com isso?
O único link sobre eleições da lista é muito mais sobre violência contra a mulher do que qualquer outra coisa. Seja cantora, atriz ou até presidenta da república, todas nós estamos suscetíveis a sofrermos com isso.

• Ashish – summer/spring 2015
Muito se falou no desfile ~passeata~ da Chanel, mas ninguém mencionou essa iniciativa bem legal da marca Ashish, que só colocou modelos negras na passarela. O desfile conta, inclusive, com um exemplo para todas nós, a Chantelle Winnie (ou Winnie Harlow), que é portadora de vitiligo.

• Papel de parede personalizado
Aprenda a fazer um papel de parede com as suas fotos em molduras de polaroids. Fiquei morrendo de vontade de fazer igual!

• 5 sinais de que é hora de você viajar sozinho
Ainda não viajei totalmente sozinha, mas é um dos meus sonhos. Esse post foi um belo incentivo pra mim – quem sabe ele não é útil pra você ou para alguém que você conhece também. ;)

• Guia da tatuagem: onde dói mais e por quê?
Tatuagem dói, get over it. Mas claro que há lugares mais tranquilos e outro bem mais tensos de se tatuar. Esse post da Revista Galileu é ótimo para tirar as suas dúvidas quanto à dor. Além disso, dá umas dicas boas para se preparar para os rabiscos.

• Teste de Bechdel: 12 filmes em que as conversas entre mulheres não são sobre homens
Depois que descobri o Teste de Bechdel, nada mais foi o mesmo pra mim. Não consigo me conformar que algumas produções cinematográficas atuais não coloquem sequer duas mulheres, com nomes, falando sobre coisas que não são homens no roteiro (acho que muito por causa disso tenho evitado ir ao cinema). Por isso, aí vão 12 filmes legais que possuem diálogos relevantes entre mulheres. Aposto que você já viu alguns deles.

• Porque guias de forma corporal são ruins para as mulheres.
Você tem formato de pêra, uva, maçã ou salada mista? Bom, eu sempre achei essas determinações do formato do nosso corpo uma bela chateação e o Não Sou Exposição explicou bem o que eles são: “Eles ditam rótulos inúteis e nocivos, trancam o corpo da mulher numa pilha de categorias, ditam regras rígidas para vestimentas e fazem todo mundo – não importa o formato – se sentir desconfortável em relação ao seu tamanho.” Vale muito a pena a leitura!

Editorial de moda inspirado em Acossado

Acossado é um filme do franco-suíço Jean-Luc Godard, um dos principais nomes da nouvelle vague. O movimento artístico foi conhecido por transgredir as regras do cinema comercial na segunda metade do século XX.

Para a edição de fevereiro deste ano da revista Marie Claire, o fotógrafo David Mandelberg fez um editorial lindamente inspirado na estética do filme. E é impressionante a semelhança dos modelos com os atores do filme. Olhem só que lindeza:

marie-claire-breathless-08 Continue lendo