Degustação de sorvete na Alessa

Uma das partes mais legais de se ter blog é o tanto de gente legal que chega até a gente. Uns dias atrás, postei uma foto no Instagram do sorvete Mineirinho da Alessa – que é a oitava maravilha do mundo, por sinal – e, logo depois, a própria Andrea em pessoa, dona da Alessa, me mandou mensagem por e-mail. Ela me convidou para fazer uma degustação de 27 sabores de sorvete na filial da loja no Lourdes. Eu fiquei tipo… “Me belisca que eu tô sonhando?”. Ela falou para eu levar alguns amigos, e foi o que fiz.

Chegamos lá às 19h30 da terça-feira passada e a Andrea veio conversar com a gente. Ela ficou conosco durante toda a degustação, explicando tintim por tintim da escolha dos sabores, da fabricação dos sorvetes e dos diferenciais da Alessa. Foi uma noite incrível que eu jamais vou esquecer. Ainda mais porque estava cercada de pessoas tão queridas!

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A Alessa surgiu em 2004, numa época em que não se falava em sorvetes artesanais. Os ingredientes da marca são escolhidos a dedo e todos os sabores foram cuidadosamente criados por um mestre sorveteiro italiano renomado. Ele viajou todo o Brasil para conhecer mais sobre os gostos brasileiros e, aplicando seu conhecimento na área, criou sorvetes que parecem abraçar a nossa língua de tão gostosos.

Com certeza vocês já passaram pelo seguinte momento: na hora da sobremesa, tira o pote de sorvete da geladeira e coloca em cima da mesa. Quando todo mundo se serviu, o sorvete quase virou água. Você coloca de novo na geladeira e, quando tira para tomar mais um pouco, é mais gelo do que outra coisa. Sabe por que isso acontece? Porque esses sorvetes de pote tem tanto ar quanto sorvete, justamente para darem mais “volume” ao pote.

Os sorvetes da Alessa não passam por esse mesmo processo. O ar é incorporado naturalmente no processo, e não é induzido, como no modo industrializado. Então, se o sorvete derreter, você pode congelá-lo novamente que ele não vai virar uma pedra de gelo. Ele vai continuar com a sua consistência original.

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A degustação foi separada em quatro etapas. Na primeira, experimentamos sorbets, que tem base de água e são feitos, principalmente, com frutas tropicais. Muitos deles até vêm com pedacinhos maiores das frutas no meio. Dessa leva, os meus preferidos foram de framboesa, mexeriquinha, limão e laranja com pêssego.

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Na segunda, experimentamos sorvetes com base de creme/leite. Eu nunca tinha tomado sorvete de pistache e adorei. Alguns dos sorvetes também vêm com pedaços na sua composição, como o de amêndoas, nozes e queijo com goiabada, que vem com pedacinhos de queijo. E o mais incrível é que o mestre sorveteiro descobriu, depois de algumas tentativas, como conservar esses pedaços sem que eles congelassem. Os pedacinhos de queijo, por exemplo, eles têm um tamanho padrão – se forem maiores ou menores, eles podem congelar na hora de ir para o freezer.

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Mesmo com bastante sabores típicos brasileiros, o mestre sorveteiro trouxe alguns dos sabores mais famosos italianos para a loja. Alguns deles são o de mascarpone, que é uma união entre queijo mascarpone e frutas vermelhas, o de tiramisu, sobremesa com café e zabaione, que é uma sobremesa típica italiana feita apenas com vinho e clara de ovos – o gosto é polêmico, ou você ama ou odeia, haha.

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Na terceira e quarta etapa, experimentamos sorvetes com base de doce de leite e chocolate. O doce de leite é feito por eles mesmos, e é uma mistura do argentino com o brasileiro, por isso não é tão enjoativo. E o de chocolate, bom, nem precisa falar, né? Tem até sorbet 100% cacau.

A Andrea nos explicou que em outros lugares do mundo o sorvete também é encarado como uma refeição. E, se formos nos basear nos sorvetes da marca, são refeições bastante saudáveis. Afinal, o açúcar é bem dosado, os sabores são feitos com as próprias frutas ou com ingredientes selecionados e não possuem gordura hidrogenada.

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Quem quiser, também pode fazer essa degustação lá na Alessa. É só entrar em contato e marcar o dia e o horário. É a própria Andrea que responde pelas redes sociais da marca. Não vou saber falar sobre todos os sabores que nós experimentamos – foram 27, oras! – mas é uma experiência única. Ainda mais com a Andrea, que é a simpatia em pessoa, explicando com tanta atenção e carinho cada sabor e todo o processo de fabricação dos sorvetes. Tô ansiosa pra voltar lá e provar os doces feitos com sorvete da casa – tipo a canjica quentinha servida com sorvete de canela (estou sonhando com ela, hahah).

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Obrigada pelo convite, Andrea! Todos nós amamos a degustação! :D

A Redoma de Vidro, de Sylvia Plath

Não sei se existe alguma coisa que um bom banho quente não cure. Sempre que estou triste por saber que um dia vou morrer, ou tão agitada que não consigo dormir, ou gostando de alguém que não vou ver durante uma semana, eu desço até o fundo de mim mesma, depois penso: “Vou tomar um banho quente.”

Sabe quando você está distraída e escuta uma música e se apaixona por ela instantaneamente? Não falo aquela música que bombou no ~verão de 2015, mas uma música que realmente fala por você e que parece ser perfeita para a trilha sonora da sua vida? Pois é, se livros fossem música, A Redoma de Vidro estaria na minha trilha sonora.

Acho que muito mais complicado do que falar sobre um livro que você não curtiu, é falar sobre um livro que você adorou. Afinal, é muito fácil cair no clichêzão e até subir demais as expectativas de quem lê a resenha. Não seria tão difícil falar sobre A Redoma de Vidro se eu não tivesse me identificado tanto com a Sylvia Plath. Como isso é possível? Quando falamos que os livros podem ser mágicos, as pessoas ficam céticas. Que droga deve ser viver nessa vida onde os livros não te influenciam ou abalam as suas estruturas.

Ok, ao livro. A Redoma de Vidro é uma obra autobiográfica de Sylvia Plath. Lê-se “autobiográfica” dentro de um certo limite, no qual temos a consciência de que fatos podem ter sido adicionados para dar mais ênfase à história. De qualquer forma, é muito difícil dizer o que não foi real, porque muitas das passagens que Sylvia narra, realmente aconteceram (ando lendo uma biografia dela e o autor confirma as informações e as ocasiões citadas).

Uma garota vive em uma cidade no meio do nada por dezenove anos, tão pobre que mal pode comprar uma revista, e então recebe uma bolsa para a universidade e ganha um prêmio aqui e outro ali e acaba em Nova York, conduzindo a cidade como se fosse o próprio carro. Acontece que eu não estava conduzindo nada, nem a mim mesma.

Em A Redoma de Vidro, acompanhamos a história da personagem Esther Greenwood. No momento que começamos a conhecer a sua história, também começamos a admirá-la. Ela estuda em uma universidade de renome e está fazendo um estágio em Nova York na redação de uma revista bastante popular. A sua vida nunca foi tão interessante e agitada, mas alguma coisa ainda não está certa para Esther. Ela acaba tendo uma recaída e vai parar em uma clínica psiquiátrica. Foi um surto assim, do nada. Acontece que Esther tem depressão, e tenta se suicidar enquanto passa um tempo na sua antiga casa, no subúrbio de Boston.

Imagino que eu deveria estar entusiasmada como a maioria das outras garotas, mas eu não conseguia me comover com nada. (Me sentia muito calma e muito vazia, do jeito que o olho de um tornado deve se sentir, movendo-se pacatamente em meio ao turbilhão que o rodeia.)

Ela passa por duas clínicas, onde é submetida a procedimentos traumáticos, como tratamentos de choques recorrentes. Apesar da experiência, Esther consegue se enturmar na segunda clínica e começa a confiar na sua médica responsável. Ao longo de toda a história percebemos nuances na personalidade de Esther que são muito cativantes, como a sua extrema sensibilidade. Mesmo quando a essa sensibilidade sobre o mundo parece desaparecer no contexto em que ela se encontra.

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Não teria feito a menor diferença se ela tivesse me dado uma passagem para a Europa ou um cruzeiro ao redor do mundo, porque onde quer que eu estivesse – fosse o convés de um navio, um café parisiense ou Bangcoc -, estaria sempre sob a mesma redoma de vidro, sendo lentamente cozida em meu próprio ar viciado.

Muitos conhecem a escritora Sylvia Plath como suicida. E eu acho que isso não é nada para descrever o que ela é – chega a ser um desrespeito. É visível toda a entrega dela ao escrever A Redoma de Vidro, e poucas pessoas conseguem descrever sentimentos tão bem quanto a autora. Há uma riqueza nesse entendimento que me comoveu profundamente. E é por isso que várias pessoas que já conhecem a história recomendam que leiamos o livro em um momento mais tranquilo e alegrinho da nossa vida. Vamos nos identificando tanto com os sentimentos de Esther que chega a ser um pouquinho assustador.

Confesso que eu não estava em um momento tão feliz assim da minha vida e, mesmo assim, me aventurei pela leitura. Ao final, eu me senti abraçada, compreendida. Esther, apesar de ser uma excelente aluna, cobra de uma forma extrema de si mesma e ainda tem muitas dúvidas sobre sua vida, qual caminho deve seguir. O mundo parece girar mais rápido do que deveria. Além disso, ela questiona muito sobre o papel da mulher na sociedade – e nunca imaginei que pudesse ler a palavra “misógino” em um livro da década de 60. Esther percebe que a sua condição de mulher é a razão para certas coisas acontecerem na sua vida. Podemos considerar que A Redoma de Vidro é um livro feminista.

Eu via minha vida se ramificando à minha frente como a figueira verde daquele conto.

Da ponta de cada galho, como um enorme figo púrpura, um futuro maravilhoso acenava e cintilava. Um desses figos era um lar feliz, com marido e filhos, outro era uma poeta famosa, outro, uma professora brilhante, outra era Ê Gê, a fantástica editora, outro era feito de viagens à Europa, África e América do Sul, outro era Constantin e Sócrates e Átila e um monte de amantes com nomes estranhos e profissões excêntricas, outro era uma campeã olímpica de remo, e acima desses figos havia muitos outros que eu não conseguia enxergar.

Me vi sentada embaixo da árvore, morrendo de fome, simplesmente porque eu não conseguia decidir qual figo eu ficaria. Eu queria todos eles, mas escolher um significava perder todo o resto, e enquanto eu ficava ali sentada, incapaz de tomar uma decisão, os figos começaram a encolher e ficar pretos e, um por um, desabaram no chão aos meus pés.

Apesar de se referir a uma temática pesada, a leitura é bem leve. O tempo que precisamos para digerir toda aquela história é bem maior do que o tempo que precisamos para acabar o livro. Sylvia escreve de uma maneira que só nos faz largar sua obra depois que ela efetivamente termina. De qualquer forma, precisamos fugir desse tabu que se criou em torno suicídio e temos, sim, que debater sobre ele. Não é bonito, não é poético. É um assunto sério que deveria ser tratado com a importância que ele demanda.

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O livro foi publicado sob o pseudônimo Victoria Lucas. Por conter histórias reais, Sylvia não queria comprometer as pessoas que apareciam no enredo. O final do livro é aberto para interpretações, mas percebemos um certo tom otimista de Esther. Na própria vida de Sylvia percebemos que ela crê que vai se curar da depressão, que a vida vai finalmente entrar nos eixos. Infelizmente, as duas têm finais bem diferentes. Sylvia se suicidou um mês após a publicação do livro.

A Redoma de Vidro virou um dos meus livros preferidos, se não o preferido. Acho que nunca me identifiquei tanto com uma história ou corri atrás para descobrir sobre a vida de uma autora, como estou fazendo com Sylvia Plath. Ando lendo uma biografia extensa da sua vida e um livro de contos, Ísis Americana e Ariel. Só não leio mais porque poucas obras dela foram traduzidas para o português – e, algumas que foram, estão esgotadas nas lojas ou são caras. Eu caí de amores pelo seu jeito de escrever e pela sua sensibilidade. Ela é uma das pessoas que eu adoraria encontrar para tomar um chá e jogar conversa fora a tarde toda.

Quando eles perguntavam a qualquer velho filósofo romano como ele queria morrer, dizia que rasgaria as veias, num banho quente. Achei que seria fácil, deitada na banheira e vendo a vermelhidão florir dos meus pulsos, jorro após jorro penetrando na água limpa, até que eu me afundasse no sono sob a superfície rubra como papoulas. Mas quando cheguei às vias de fato, a pele do meu pulso parecia tão branca e indefesa que não consegui nada.

Era como se o que eu quisesse matar não estivesse naquela pele ou naquele pulso magro e azulado que latejava sob o meu polegar, mas sim em algum outro lugar, mais profundo, mais secreto, e muito mais difícil de ser alcançado.

Ilustrações por: Sara Bicknell e Geraldine Sy.

The Ordinary Young Man, por Fernando Cobelo

Ando viciada nesse tipo de ilustração nos últimos tempos. Simples e fofa, com linhas que chegam a beirar o infantil. Esse é o trabalho do Fernando Cobelo no seu projeto The Ordinary Young Man.

Cada ilustração vem com uma explicação, como “when i think about you flowers grow out of my head”, “dangerous thoughts”, “breathe in breathe out”. Para descobrir de todos os desenhos é só clicar no + que aparece ao lado das imagens no tumblr.

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Vídeo: Como é morar com o namorado?

Eis o post/vídeo sobre como é morar com o namorado. Nele, falei sobre a divisão de tarefas, de contas, as brigas, a decisão… A iluminação não ficou lá essas coisas porque eu estava gravando de noite, já que não tá rolando tempo de dia. :/ Mas acho que vale o conteúdo, não é mesmo? Hahaha! Espero que vocês gostem.