O que eu salvaria se a minha casa pegasse fogo?

Esse post faz parte das sugestões de agosto do Rotaroots no Facebook, um grupo de blogueiros que quer resgatar a época old school dos blogs. Para acompanhar os temas de todos os meses, é só ficar de olho por lá!

Um dos posts desse mês do Rotaroots era sobre o que salvaríamos se nossa casa pegasse fogo. Claro que há vários poréns – pra falar a verdade, eu não pegaria nada e sairia correndo porta fora, ligando para os bombeiros -, maaas a ideia foi uma adaptação do projeto fotográfico The Burning House, pra mostrar o que as pessoas levariam consigo caso isso acontecesse.

Escolhi algumas das minhas coisas favoritas, como minha jaqueta de couro da Mango, minha alpargata da Perky, meu perfume Miss Dior Chérie, meu par de argolas… Coisas que eu vou usar pra sempre. Além disso, escolhi também itens importantes, como o livro que estou lendo agora e outro que pretendo ler, caderno e caneta para escrever, passaporte caso precisem de identidade (já que eu perdi a minha :P), celular, carteira, algumas fotos, fone de ouvido e uma necessáire.

Nessa última, provavelmente, se tivesse tempo, ia encher com remédios. Pra dor de cabeça, antialérgico, anticoncepcional. Fora curativos, água boricada, pinça e esse tipo de coisa que só uma pessoa neurada carrega normalmente. Está faltando uma mochila aí para carregar todo esse peso, meu notebook, minha câmera, roupas íntimas e uma calça (que, nesse caso, eu estava usando na hora de tirar a foto, hahaha).

Mas eu acho que, no final das contas, não ia me importar tanto em salvar itens materiais. Depois de fazer o mochilão pela Europa no ano passado, percebi que precisamos de muito pouco para sermos felizes. Claro que eu detestaria perder meu notebook e todos os meus livros (acho que ia chorar durante um bom tempo se isso acontecesse), mas, como sempre disse a minha mãe, “Deus tem mais para dar do que o Diabo para tomar”.

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Crime e Castigo – Volume I

Há alguns meses, me propus um desafio. Começar a ler livros mais difíceis, densos e extensos. Confesso que, às vezes, sou bastante medrosa de engatar em uma leitura assim e ela acabar sem incentivos para continuar. Ainda preciso de mais disciplina, porque o principal momento que leio meus livros é na viagem de ida e volta da faculdade, e aí deixo o livro de lado. Até consigo ler antes de dormir, mas preciso não estar tão cansada para ler mais de 10 páginas – o que tem sido bem difícil.

Bem, toda essa introdução para dizer que terminei o volume I de Crime e Castigo e já quero falar dele antes de terminar o volume II. Não é uma leitura fácil e, com todos esses “empecilhos” do parágrafo anterior, demorei mais do que gostaria. Vejo muita gente falando que consegue terminar de ler um desses num final de semana. Parabéns! :) Já que não estamos em nenhuma competição, vou levando o meu ritmo mesmo. Flw. Vlw.

Terminada essa primeira parte, posso fazer algumas considerações sobre o modo de escrita de Dostoiévski. Sabe aquele tipo de autor que adora descrever os mínimos detalhes de uma cena e demora looongas páginas para isso? Pois é, esse não é Dostoiévski. Ele se preocupa muito mais com seus diálogos do que com a descrição de personagens. Ele é mestre não em falar, mas em mostrar como são as pessoas do livro com suas próprias atitudes e opiniões. Talvez por isso que ele seja considerado um profundo conhecedor da alma humana.

Essa obra é tão incrível que a minha impressão é que tudo isso estava acontecendo e o autor estava só registrando em um livro. É tudo muito real. Acho que não tenho nem cacife para falar sobre uma obra dessas (mas já que comecei, né…).

O enredo gira em torno de Ródion Románovitch Raskólnikov, um jovem ex-estudante que mora em São Petersburgo na maior miséria. A sua casa é só um quartinho alugado, com uma mesa e um sofá, que o serve de cama. Sufocado pela pobreza e com uma raiva descontrolada de uma velha que lhe paga pouquíssimo pelos bens que penhora, Ródia a mata com machadadas na cabeça. Após o crime, ele começa a sofrer uma loucura atormentada pelo ato.

Os sonhos de um homem doente tomam, sempre, um relevo extraordinário a ponto de a própria realidade confundir-se com eles. (p. 80)

Não é a inteligência que me ajuda, mas o demônio. (p. 105)

Torturo-me e me dilacero, eu mesmo… Sou incapaz de me controlar. Ontem, anteontem, todos esses dias não faço outra coisa senão me martirizar… Quando estiver são, não o farei mais… Se, porém, não sarar nunca? Senhor, como estou cansado disso tudo. (p. 154)

O livro também possui outros acontecimentos nesse meio-tempo, como a ajuda de Ródia à família de um senhor atropelado e a vinda de sua mãe e irmã para São Petersburgo. Durante algumas boas páginas, conseguimos transferir a nossa atenção para outros casos, quase esquecendo do crime cometido.

Por incrível que pareça, encontrei alguns traços da obra que podem ter inspirado o livro Clube da Luta. O personagem principal também é um tanto inspirado pela filosofia niilista. Inconsequente, matou porque… bom, por matar. Sem nenhum motivo aparente. Afinal, ele não ficou com nada de valor para melhorar suas condições de vida. Em um dado momento, Ródia diz que, o que ele matou de verdade foi um princípio, olha só:

A velha não significa nada, dizia a si mesmo, ardente, impetuosamente. É talvez um erro, mas não se trata dela. A velha foi senão um acidente… eu queria dar um pulo depressa. Não matei um ser humano, mas um princípio. (p. 368)

Enfim, apesar de não ser grego, ele tem sido quase uma odisseia para mim. Não pelo livro ser ruim – é justamente o contrário. É preciso ter bastante atenção para captar as nuances da complexidade dos personagens e conectar os pontos. Ah! Quero aproveitar também para dar um conselho para quem for ler: anotem os nomes dos personagens e coloquem uma mini bio de quem ele é. É muito nome complicado para um livro só, hahaha. Eu me confundo toda e acabo nem lembrando quem é quem. Fica aí a dica para os atrapalhados como eu!

Bom, assim que terminar o volume II de Crime e Castigo, volto para falar um pouco mais. :)

Cover Lover: Irmãos Grimm, por Stephanie Schlim

Continuando os posts de projetos lindos de capas de livros, descobri o trabalho da Stephanie por acaso no Behance. Ela é americana, mora em Boston e é muito boa na tipografia. Stephanie criou uma coleção de livros dos Irmãos Grimm, entre eles, João e Maria (Hansel and Gretel) e Chapeuzinho Vermelho (Little Red Cap).

Adoro projetos de capa feitos apenas com tipografia, e vocês? <3

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Para Ouvir: Blood Red Shoes

A dupla Steven Ansell (vocal e bateria) e Laura-Mary Carter (vocal e guitarra) formou Blood Red Shoes em Brighton, Inglaterra, no final de 2004. Em uma entrevista em Berlim, Laura-Mary explicou que o nome da banda foi tirado de um musical Ginger Rogers/Fred Astaire, em que Ginger Rogers tinha transformado um par de sapatos de dança brancos em sapatos vermelhos-sangue, devido o intenso treinamento para o papel.

As inspirações deles vêm de bandas como Babes in Toyland, Nirvana, Queens of the Stone Age, Pixies e Sonic Youth. Acho que também colocaria aí The Black Keys, porque o som me lembrou muuuuito a banda, vocês vão ver. Mais uma vez, descobri essa pérola no Last.fm, minha fonte inesgotável de novidades. Curti demais os dois e espero que vocês também gostem. Eles fogem um pouco do indie pop que estou costumada a indicar e vão para um lado um pouco mais pesado – que eu adoro também, hahah.