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A vida On the Road

A vida On the Road

É sempre muito difícil para mim escrever sobre um livro. Fico com medo de não conseguir passar meus sentimentos ao lê-lo e minhas impressões. Por isso, na maioria das vezes, é o Bernardo que possui essa incumbência. Mas, depois de ler On the Road, eu me propus esse desafio. É um desafio também por causa da importância do livro para uma geração. On the Road não só foi a bíblia da geração beat como também a tradução por escrito dessa juventude perdida. Olha só que responsabilidade a minha!

De forma alguma quero parecer imparcial, quero atiçar vocês, leitores vorazes, a lerem algo que é obrigatório para entendermos as pessoas da nossa idade que viviam na década de 40/50. Por causa dessa geração surgiram os movimentos hippie e punk rock. Os beats faziam parte de um fenômeno contracultural e anticapitalista. Eles criavam suas próprias comunidades ou viviam como nômades. Esses jovens intelectuais iam totalmente contra o novo sistema ordenado imposto pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial.

A fuga desse mundo consistia em muitas doses de álcool, experimentação (e mistura) de drogas, sexo livre (por vezes, em grupo) e jazz do começo ao fim. E é nessa geração que Jack Kerouac narra as aventuras de Sal Paradise que é, ninguém mais, ninguém menos, do que o Kerouac em pessoa – o livro é um compilado de aventuras do próprio autor, com personagens reais. Sal é um jovem escritor recém-formado que mora em Nova York com a tia e vive de bicos, às vezes, vendendo textos seus. Mas talvez a grande estrela de On the Road seja o caótico Dean Moriarty – um bon vivant conquistador, aventureiro e inconsequente. A obra não seria tão explosiva sem a ilustre presença dessa personagem.

Neal Cassidy (Dean Moriarty) com Jack Kerouac (Sal Paradise).

Dean nunca para em nenhuma cidade, vive viajando pelo país, conquistando várias mulheres, transando a rodo e curtindo uma festa como ninguém. Ele nunca leva nada a sério e aproveita o dia como se fosse o último de sua vida. E, durante a trama, percebemos que Sal vai incorporando um pouco esse estilo de Moriarty. É bem visível a mudança de personalidade da personagem!

Mas, antes de Dean entrar completamente na vida de Sal, este se aventura pedindo carona e atravessando o país pela Rota 66. Passando fome, frio e alguns apertos durante a viagem, Sal prossegue e conta sobre algumas caronas engraçadas e pessoas inesquecíveis que encontrou pelo caminho. Mas as suas aventuras mais loucas são ao lado de Dean Moriarty e sua trupe excêntrica.

Sal Paradise, algumas vezes, parecer ser só o espectador da grande aventura de Dean, que o deixa de lado em horas importantes, mas, logo em seguida, o chama de irmão. Essa inconstância do seu amigo parece não importar o protagonista, que acaba perdoando-o em diversos momentos. O fato é que, estar ao lado de Dean, o faz se sentir vivo.

Pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício explodindo como constelações. – On the Road

LuAnne Henderson

LuAnne Henderson, a Marylou

Ainda nessa bagunça, encontramos personagens marcantes como a loira e linda Marylou. Como companheira de Dean, ela se aventura como a única mulher do grupo e também segue a cabeça desvairada de seu amante. Ela se casa muito jovem com Moriarty, aos 15 anos, e enfrenta todos os problemas da estrada de igual para igual, seja roubando gasolina, comida e aplicando alguns golpes.

O jeito de narrar de Kerouac revolucionou a literatura. O livro se passa como num show de jazz, dinâmico, com algumas rápidas pausas. Durante alguns trechos, a gente se deixa levar pelo ritmo frenético e não quer parar de ler. Quer estar naquele mundo, sentir a música, viajar sem destino para qualquer lugar que seja. Pegar a mochila e cair na estrada. Atravessar os Estados Unidos do jeito que dá, sem muita grana, mas com a ambição de chegar vivo no final.

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2 comentários

  1. Gabriela Gomes 24 de outubro de 2012
    às 09:25

    Me enganei (um pouco) sobre o tema do post! haha. Eu li algumas críticas (positivas) do filme, agora deu vontade de ler o livro tb! Beeijo

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