Alguém poderia escrever um manual sobre como se deve reagir a esse tipo de notícia, se as circunstâncias não forem favoráveis ao casal. Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios. Seria bastante útil para homens como eu. (p. 183)

Descobri recentemente que adoro histórias de amor. Mas não é qualquer uma, não! Prefiro aquelas arrebatadoras, que tiram, aos poucos, pedacinhos dos amantes, para que estes precisem ter o trabalho de catá-los depois. Gosto daqueles romances tórridos, onde rolam suor, sangue e gozo, onde os personagens têm problemas e se deixam levar pelas emoções sem pensar no amanhã.
Descobri isso há algumas semanas, depois de ler Eu Receberia as Piores Notícias de seus lindos Lábios, do escritor brasileiro Marçal Aquino. Um livro que vale, e muito, um destaque na literatura nacional.
Cauby é fotógrafo e a personagem principal do livro. Ele é de São Paulo, mas se muda para o interior do Pará por conta de um trabalho. Lá, ele conhece a bela Lavínia, uma mulher deslumbrante que exala sensualidade e destruição. Ela é casada com o pastor Ernani, um homem santo, tão importante na história quanto o casal.
O livro se desenrola com oscilações entre o presente e o passado, em um momento curto de uma noite, enquanto Cauby escuta um homem relatar sobre um amor que tomou conta de sua vida. Nesse momento, percebemos o quão vulneráveis somos perante um sentimento tão complexo e incerto. Até tentamos nos identificar com a história, pois, quando nos referimos ao amor, todos temos algo de trágico para contar.
Acontece em uma cidade pequena no Pará, onde mineradoras e garimpeiros sentem sede do ouro. Onde impera a lei do mais forte e qualquer balbucio é percebido a quilômetros de distância. Uma cidade tensa que, a qualquer momento, pode se desmoronar completamente. Nesse contexto, o amor entre Cauby e Lavínia ajuda a colocar mais lenha ainda na fogueira.
A narrativa de Marçal é crua, dura e, muitas vezes, cruel. O passado de Lavínia é de uma realidade sem tamanho e que toma uma boa parte do livro. Uma história sofrida e triste como a dela não teria como não deixar sequelas. Ao mesmo tempo que tentamos entendê-la, sentimos pena. E, por incrível que pareça, conseguimos nos identificar, mesmo que só um pouquinho.
Mas as partes que eu mais gostava (também) era ler sobre os ensinamentos do tal professor Schianberg, um fictício filósofo do amor. Cauby sempre menciona partes de seu livro nas suas divagações e eu quase caí na dele (precisei procurar no Google para saber se ele realmente existia, hahah).
De acordo com o professor Schianberg (op. cit), não é possível determinar o momento exato em que uma pessoa se apaixona. Se fosse, ele afirma, bastaria um termômetro para comprovar sua teoria de que, neste instante, a temperatura corporal se eleva vários graus. Uma febre, nossa única sequela divina. Schiamberg diz mais: ao se apaixonar, um ¨homem de sangue quente¨ experimenta o desamparo de sentir-se vulnerável. Ele não caçou; foi caçado. (p.15)
Acho que demorei dois dias para ler o livro – aliás, devorar. Ele me marcou muito pela sua forma escrita, pelo enredo e pela história arrebatadora de amor que o autor nos apresenta. Ao terminar, entrei num momento de transe. Precisei passar um tempo sozinha para digerir todas aquelas informações. Adoro quando um livro faz isso comigo. Tinha saudade de sentir isso. A última vez foi com O Grande Gatsby, outra história de amor contrariado.
Para quem quiser, há o filme feito por Beto Brant, com a Camila Pitanga no papel de Lavínia. Ainda não vi, vocês já?















Tem 23 anos, é aquariana e idealizadora do blog. Uma amapaense que mora em Belo Horizonte e está fazendo intercâmbio em Lisboa. Vive em constante mudança: de casa e de visual. Adora viajar, ler e descobrir coisas novas. É entusiasta da moda e da fotografia. 





























