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Janeiro: E então li Lolita

E então li Lolita, de Vladimir Nabokov – e aqui está a minha opinião. A minha edição é da Alfaguara, de 391 páginas. O tema do Desafio Literário do Tigre de janeiro era “Na Estante”. Comprei em janeiro de 2013 e desde então, o livro está na minha estante, esperando para ser lido.

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Lolita é um clássico da literatura da década de 1950 que conta a história de um europeu de meia-idade que vai morar nos Estados Unidos. A procura de um lugar para morar, ele acaba num quarto alugado no apartamento de Charlotte Haze, onde mora sua filha Dolores Haze, a Lolita. Humbert, obcecado por ninfetas (meninas novinhas que já possuem um desenvolvimento sexual), se vê logo apaixonado por Lolita – e aí é que a história se desenrola.

Confesso que demorei muito para lê-lo. O personagem principal, por ser um erudito, capricha nas palavras e exagera nas descrições dos locais de uma forma, por vezes, muito monótona. Ou seja, a leitura, para mim, foi um tanto difícil. Precisei voltar umas três vezes para entender o parágrafo de 17 linhas sem nenhum ponto final, por exemplo. Sr. Nabokov, você quase me fez largar o livro no meio da história.

Explico. Ao começar o livro, aos poucos, ia me fisgando pela história. Mas, em algum momento, ao começarem as andanças e viagens de carro pelos Estados Unidos (que toma uma boa parte da história), cansei. Na verdade, li o livro sabendo que não iria gostar de um cara que não sente remorso nenhum ao violentar uma criança de 12 anos. Pronto. Precisei terminá-lo para ter meu veredicto. E só assim entendi por que a história foi banida em tantos países na época.

“Poxa, Gabriela, mas se você conhecia a história, por que a leu?”. Cara, eu já me apaixonei por um livro no qual o personagem era um psicopata com dupla personalidade e complexo de Édipo. Podia dar certo dessa vez também, sei lá, mas não deu. Não bateu essa empatia, sabe? :P De qualquer forma, o final de Lolita é muito bom. Nabokov conseguiu um fim interessante e nada monótono, comparado ao meio do enredo.

Para não ser tão injusta, o livro possui, sim, alguns momentos que você para de respirar e pensa “pronto, é agora que a vaca vai pro brejo”. Ter umas sacudidas dessas é bom para despertar.

Queria muito saber a opinião de vocês, leitores queridos que leram Lolita e gostaram. O que vocês viram que eu não vi? :/

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Para fevereiro, no qual o tema é “Julgando Pela Capa”, meu escolhido foi Peter Pan, que está com uma edição lindíssima da Zahar. <3

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13 comentários

  1. Ana Luísa Freitas de Oliveira 2 de fevereiro de 2014
    às 00:02

    Oooi!
    Eu também li bem devagar Lolita.
    A minha edição era antiga, mas a leitura cansa mesmo!
    Também deixei minha opinião exposta no meu blog, já que li nas férias e postando no blog que me baseio para saber quantos livros que li durante o ano! hehe
    Vou deixar o link aqui :)
    http://9dadesasolta.wordpress.com/2013/12/23/lolita-vladimir-nabokov/
    Ana Lu :)

  2. Juliana Lima 2 de fevereiro de 2014
    às 10:02

    Gabs linda!
    Sou louca pra ler Lolita! Adorei o filme, ele virou uma coisa marcante na minha adolescência, sei lá porquê, mas acabei simpatizando pelo protagonista (no filme) e tomando ódio da Lolita, porque no filme parece que ela realmente provoca e não tem nada de inocente :| mas não se sabe né? A única coisa que sei é que hoje em dia tem muita ninfeta estilo Lolita por aí tirando vantagem. E pelo que ouvi e entendi, o Humbert foi compelido por outros problemas psicológicos devido a um trauma em sua adolescência, o que poderia ter afetado seu julgamento em relação a Lolita. Não que eu esteja o defendendo, afinal, o homem tem que ter algum JUÍZO né? Por mais que a Lolita esteja de camisola se lançando aos braços dele!! Mas acho que a ideia do autor é mostrar mesmo o quanto ele se perdeu nisso tudo. Por tudo isso que tenho curiosidade em ler o livro, mesmo que muita gente diga que não achou lá essa coca cola toda rs. Quando eu ler te conto o que achei. :)
    Ps: amei/quero seu wallpaper. <3
    Beijos!

  3. Nina 2 de fevereiro de 2014
    às 11:51

    Conheci o Nabokov com a obra Fogo Pálido, que é um de meus títulos prediletos. Eu sempre quis ler Lolita, tenho essa mesma edição suia, da Alfaguara, cujo posfácio de Martin Amis é excelente, meio que um tapa na cara.
    Adoro esse livro. Ele é muito poético e erudito. Também gostei do que você não gostou – essa ideia de road-movie, de descrever lugares diversos.
    Lolita, pra mim, é um livro completo: tem romance, suspense, comédia. Eu adoro.
    Beijão.

    1. Gabi 3 de fevereiro de 2014
      às 13:35

      Oi, Nina! Acho que deve ser época mesmo, sei lá. Quem sabe, se eu tivesse lido em outro momento da minha vida, talvez me encantasse mais pela história e entendesse melhor. Posso dar uma segunda chance a Lolita daqui uns anos. Vai que minha cabeça muda. :)

      Beijão!

  4. Susanne Fernandes Rodrigues 3 de fevereiro de 2014
    às 00:45

    Gabi, fugindo totalmente da temática do post, de onde é o background do seu desktop?

    1. Gabi 3 de fevereiro de 2014
      às 13:36

      Oi, Susanne! É desse site aqui: http://www.karenhofstetter.com/projects/wallpaper/ :)

      1. Susanne Fernandes Rodrigues 3 de fevereiro de 2014
        às 13:38

        Nossa Gabi, procurei muito por isso, obrigada! haha

  5. Jess 3 de fevereiro de 2014
    às 11:39

    Eu já abandonei a leitura de lolita umas 10 vezes. Assim como você, achei ele enfadonho em vários momentos.

    mas quero terminar para ter meu veredito.

    1. Gabi 3 de fevereiro de 2014
      às 13:37

      HAHAHAH, você me entende! xD Enfadonho é a palavra. Lutei para terminar e consegui vencer. Força, Jess. Você consegue! o/

  6. Karina 4 de fevereiro de 2014
    às 01:15

    Oi Gabi, tudo bem?
    primeiro dizer que acompanho seu blog há uns dois meses e estou gostando muito do conteúdo!
    depois dizer q eu tenho que “defender” um pouco Lolita, ahahhaha, eu como a grande maioria das pessoas que já quis ler o livro algum dia, quis ler pela fama da história e tal, mas acabava nunca lendo, daí que entrei numa pós graduação em literatura e foi pedido como atividade ler Lolita, e olha, do mesmo modo como vc comecei gostando mas fiquei entediada bem na parte das andanças e viagens, e quando acabei de ler, também não achei aquilo tudo, mas depois de um tempo parando pra pensar na história e no Humbert, era incrível como ele era apaixonado pela Lolita, até no ato de ele pintas as unhas dos pés dela… que cara faz isso? e ele realmente sofre por ela e tudo bem que dá um pouco de medo de uma pessoa que move fundos e mundos pra achar outra, ahahah, mas acho que fiquei com uma sensação de que no fim, Lolita é uma bonita história de amor (mesmo sabendo que o cara abusou da menina) e acabei gostando do livro! E o Nabokov, dizem tem outros escritos muito bons, tenho curiosidade de ler outro livro dele além de Lolita! =)

  7. Dasty-Sama 23 de fevereiro de 2014
    às 00:18

    Que bom, finalmente alguém que me entende. O livro realmente me fisgou no começo, MAS O QUE ERA AQUELA PARTE DA VIAGEM? Para mim foi pura enrolação. Quase morri de tédio e também pensei em desistir da leitura. De qualquer forma, gostei do livro, mas acho que preciso relê-lo (já que faz 5 anos que o li). Ainda não entendo completamente toda a idolatração que o pessoal tem pelo livro, acho mais que é pela ideia que ele passa.

  8. Izabel Mendes 25 de fevereiro de 2014
    às 11:46

    É engraçado ver quão diferentes são os comentários sobre a história, enfim,li o livro nessas férias entre a escola e a faculdade concordo que o livro tem partes que são bem cansativas devido a linguagem dele mas acho que a história me prendeu de certa maneira que isso nem importou tanto k acho que o que deixa o livro mais interessante é como nossa ideia sobre Humbert ao longo do livro se modifica, simpatizando por ele no começo e la pelo meio do livro tendo um nojo total,e diferente de como o filme mostra, no livro dá pra sentir muita pena da lolita pela situação que ela se encontra.

  9. Luisa 2 de abril de 2014
    às 19:15

    A minha opinião sobre Lolita é um pouco ambígua. Ao mesmo tempo que eu tenho uma certa coisa com um personagem pedófilo (principalmente na cena em que ele, louco de ciúme, rasga a roupa dela e a agarra), não posso deixar de pensar q é uma doença e como ele sempre acha que ela tá afim dele porque é o ponto de vista dele (algumas partes são tão surreais e eu não deixava de pensar que tudo era o ponto de vista dele)

    diferente de você, eu gostei muito do jeito que ele vai contando a história. Às vezes, as divagações dele são interessantes/engraçadas e algumas falam verdades existentes até hoje. Adorava as críticas que ele fazia hahaa
    Mas eu tb detestei a parte que ele fica viajando pra lá e para cá. Saco.

    Eu acabei lendo o prefácio do livro depois de ler a história (heheh) e achei muito legal (inclusive por ter lido depois), acho que deu o toque que faltava, até pq odeio qnd a história acaba e eu não sei o q vai acontecer depois.