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Lo. Li. Ta.

“Lolita, luz da minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, contra os dentes. Lo. Li. Ta.”

Lolita

Por uma semana e meia também fui cativo dessa ninfeta, com seus ares e olhares. Lolita é uma das obras mais conhecidas da literatura, fruto da imaginação doentia de Vladimir Nabokov, um russo que fugiu da URSS e foi-se refugiar no ocidente.

Humbert Humbert, o narrador, fustigado pelos olhares languidos da ninfeta, é um homem perturbado pela sombra das ninfetas, que nos conta como foi levado à ruína por uma garota de 14 anos e como a levou à degenerescência total. O narrador brinca ao nos apresentar suas memórias – às vezes pouco conexas – até se encontrar, em uma cidadezinha da Nova Inglaterra, no EUA, com os olhos de uma garota e seu pirulito – uma cena antológica onde as cores e sombras misturam-se em uma dança diáfana, quase fáustica.

Lolita

Era o europeu típico em seus modos e comportamentos, preso em um mundo de pessoas grosseironas, sem grande senso estético e com nenhuma cultura. O professor, que por trás de seus óculos de aro grosso observa os movimentos das pernas das alunas ou das crianças que brincam no parque.

Ao contrário que o senso comum me levou a crer, a ninfeta nunca seduziu o homem de meia idade. Humbert Hulbolt Humboldt Hum – encantado com a jovem ninfa, decide alugar um quarto na casa e, quem acaba por apaixonar-se é a mãe da garota, Charlotte Haze. Tudo o que queria e pretendia era ficar próximo e observar a ninfeta de jeitos grosseiros, mal educada e respondona. Lô era uma jovem típica, adorava modismos, revistas, roupas novas, revistas em quadrinhos, romances, músicas, filmes e revistas de fofoca. Não largava seus chicletes!

Lolita

Para não se afastar de Lô, Humbert casa-se com Charlotte, uma americana típica em sua falta de gosto ou inteligência. Casa-se com ela – um verdadeiro flagelo – só para ter perto de si a ninfeta.

A história é um misto de tensão policialesca e angústia romântica, que faz com que o peito fique pesado e a respiração falhe, em certos momentos, a narrativa quase se confunde com um road movie. A melancolia dos dias de infância é roubada e substituída pela sombra dos amores indistintos.

Ao longo da narrativa, o sentimento que persiste é o de pena – pena pela triste sina do pobre Humbert, que teve que suportar toda a fúria destrutiva de sua filha/amante. A relação ambígua dos dois exaspera aqueles que seguem pelas linhas tortuosas do livro.

Em 1962 o livro foi traduzido para as telonas por Stanley Kubrick – que conseguiu repassar toda a angustiante atmosfera do livro. Além de ter sido adaptado e readaptado ao longo das últimas décadas e de ser fonte de inspiração para muitas outras obras.

É um livro que deve ser lido.

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4 comentários

  1. fernanda 11 de dezembro de 2012
    às 16:45

    Vc curte um clássico, não??? rs!
    Outra recomendação massa! Minha mãe já leu e me disse que não é uma leitura muito fácil…

  2. Amanda santos 12 de dezembro de 2012
    às 10:08

    Assisti o filme faz pouco tempo, e concordo é realmente meio angustiante,
    não li o livro, pelo que me falam o filme é bem fiel mesmo.

  3. natalya 12 de dezembro de 2012
    às 19:38

    Lolita. Nunca li e nem vi o filme, mas ainda assim acho encantador o nome e a historia. Seu post me deu vontade de ler!

  4. Isabella Morais 7 de janeiro de 2013
    às 12:13

    Já li o livro e apesar de ser admiradora dos filmes de Stanley Kubrick ainda não assisti Lolita :( É um livro muito bom, recomendo!