De ~boazinhas~ a bad girls

2013 é o ano para atrizes-mirins crescerem e acabarem com o estereótipo de boas moças. Quem poderia dizer que estaríamos vivos para ver garotinhas que fizeram filmes da Disney atuando em produções politicamente incorretas? Elas falam palavrão, bebem, roubam, seduzem, experimentam, enganam, são egoístas e mimadas. Ah, o que fazer com essas meninas?

Dois lançamentos cinematográficos esse ano prometem muito, com boas histórias, atuações e trilha sonora. O primeiro já teve uma ótima repercussão e o segundo… bom, é dirigido pela Sofia Coppola, né?! ;)

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Brit, Candy, Cotty, e Faith são amigos do ensino Fundamental. Eles vivem juntos na faculdade e no tedioso dormitório e estão sedentos por aventura. Tudo o que eles tem que fazer é conseguir dinheiro o suficiente para o feriado da primavera (spring break) e tentarem se divertir. O encontro com o rapper “Alien” promete oferecer às meninas toda a emoção da qual elas poderiam imaginar. Com o incentivo de seu novo amigo, torna-se incerto o quão longe as garotas querem ir para experimentar as férias de primavera da qual nunca irão esquecer.

Ashley Benson, Selena Gomez, Vanessa Hudgens e Rachel Korine ultrapassam a cota de periguetes-com-cara-de-boas-moças, além da cota Disney do elenco. Confesso que estou curiosíssima para ver o filme, ainda mais depois de ler a crítica do Érico sobre ele. Spring Breakers estreia nos EUA dia 22 de março de 2013.

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O longa que contará a história real de um grupo de adolescentes de se especializaram em cometer pequenos assaltos em casas de celebridades, como Paris Hilton e Orlando Bloom. Sofia Coppola é responsável pela direção, produção e roteiro. O elenco conta com Emma Watson, Kirsten Dunst, Leslie Mann, Taissa Farmiga, Israel Broussard, Katie Chang, Claire Pfister e Georgia Rock.

Emma Watson finalmente mostrando suas garrinhas. Tá na hora mesmo de desvencilhar a imagem de Hermione Granger de uma vez por todas. A história é baseada em acontecimentos reais – o que ainda dá mais vontade de assistir. O grupo foi responsável por furtos em mansões de famosos em Hollywood, como Paris Hilton, Orlando Bloom, Megan Fox e Lindsay Lohan, para imitar seus estilos de vida. The Bling Ring estreia nos EUA dia 14 de junho de 2013.

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Bem que podiam liberar logo a data de estreia para Brasil e Portugal, né não? A gente fica numa ansiedade danada! Hahah!

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

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No que consiste a liberdade? Esse tema atormentou filósofos ao longo dos séculos é: a liberdade seria uma mera expressão da vontade humana criadora de leis? Ou algo subjetivo, inerente à sua própria natureza, que paira sobre nossas cabeças como um direito natural ou o das zeit? Ou seria, em um pensamento mais pragmático, a objetivação do livre arbítrio? Não há respostas, só argumentos diversos que nos levam às mais variadas conclusões.

Você é livre para obedecer as leis e, também, para desobedecê-las. Você é livre para criar suas próprias leis. E assim por diante. A dimensão filosófica da acepção de liberdade é muito distante da acepção legal e é nisso que está a grande dificuldade, pois é preciso desenvolver o conceito.

Anthony Burgess

Anthony Burgess (25 Fev 1917 – 22 Nov 1993)

Adiei o começo desse texto por diversas vezes, pois o tema me assustava um pouco: a liberdade e o livre arbítrio são assuntos que trato na academia e não em um lugar como esse, destinado a assuntos menos indigestos. Pois, tomei coragem, respirei fundo e comecei!

Desculpem-me esse momento inicial, mas ele é fundamental para entender uma das obras mais importantes da literatura do século XX, Laranja Mecânica, de Anthony Burgess, de 1962.

A obra se passa em qualquer lugar e em qualquer dia do século XX (palavras do próprio Burgess); qualquer cidade serve de cenário, em qualquer tempo. Podemos dizer que, para o autor, a sociedade em que ele estava inserido já era uma sociedade distópica, daquelas descritas por Orwell ou Huxley. O mundo estava podre em decorrência dos longos anos da segunda guerra e pela sombra de um mundo polarizado e perigoso.

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

Arte de Jeremy Haun

Alex, o personagem principal e narrador, é um típico adolescente da época – um maltchik – que, com seus colegas – druguis – aterrorizavam muito horrorshow. Burgess, em sua genialidade, criou um dialeto próprio de gírias para os jovens (coisa que assusta bastante quando se começa a ler o livro mas depois acostuma-se – ao final do livro, há um glossário para essas palavras). Alex é um delinquente juvenil, que diverte-se com a violência.

Seus passatempos são espancar desavisados que andam nas ruas à noite, assaltar, estuprar e brigar; eles amam a ultraviolência. Ele e seus druguis, Tosko, Pete e Georgie protagonizam verdadeiras cenas de barbárie – é a liberdade humana externalizada em sua forma mais pura; é o etat de nature descrito por Hobbes. A liberdade de ir e vir e ditada pela força e pela habilidade com a navalha e com a corrente. É uma liberdade total e irrestrita, que não vê nenhuma amarra na lei. E essa liberdade é boa?

Como consequência de seus atos, Alex, após ser traído por seus druguis, que passaram a contestar sua liderança, vai preso. E na cadeia é como um animal selvagem enjaulado, toda sua liberdade se esvai. Mas, em outra crítica à sua época, o autor nos mostra que, em muitas vezes, aquele jovem animal, mostrava-se completamente alienado. Fazia o que fazia só pelo prazer momentâneo que tais coisas despertam.

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

Em seu cárcere, ele, ansiando sair o mais rápido possível, admite entrar em um sistema “revolucionário” de recuperação de jovens delinquentes. O sistema consiste em tirar a liberdade da pessoa – não a liberdade legal, pois essa ele já não tinha. Tiraram dele a liberdade filosófica, seu livre arbítrio. Não vou descrever mais nada da trama que possa estragar o prazer da leitura, mas essa perda da liberdade é dramática.

Assim, ele não pode mais escolher entre ser bom ou ser mal. Ele só pode ser bom, pois qualquer desejo de violência, qualquer desejo de descumprir a lei, o leva a enjoos e a um grande mal estar. Dessa maneira, ele não tem mais a escolha entre o certo e o errado, o que caracteriza a liberdade.

Ele não pode mais desrespeitar, de forma consciente, a lei (nesse ponto, Thoreau teve um infarto e não pode mais prosseguir na leitura).

E agora? Ele está “curado” de todo o mal, de todos os instintos assassinos ou só não os revela em função do medo de passar muito mal? Aí, podemos entrar na discussão à respeito da função da punição: ela deve ser preventiva ou sancionadora? Deve causar medo ou somente punir um dano causado?

A trama fantástica e cheia de referências escondidas. Apesar do espanto inicial causado pelas palavras inventadas pelo autor, a leitura flui facilmente. É muito gostoso ler o livro!

Laranja Mecânica, de Anthony Burgess

Ah, não podemos deixar de narrar o fato de que Alex, apesar ser um jovem indolente e alienado, tem muita sensibilidade musical e estética. Afinal, ele é um amante da boa música, ama Beethoven, Bach e Mozart.

Toda a ultraviolência foi magistralmente retrada pelo cineasta Stanley Kubrick, em 1971. Falar sobre esse filme e suas cenas fantásticas, é ser redundante. Quem não viu tem a obrigação de ver e quem já viu, tem a obrigação de ver de novo, depois de uma boa leitura do livro, regado de muito moloko (leite). Uma observação legal a se fazer, é que o filme acaba em um momento diferente do mostrado no livro.

O livro é, originalmente, dividido em três partes, que poderíamos identificar como a queda, a danação e a redenção do personagem Alex. O filme vai somente até a segunda parte – mas não deixa de ser fodástico!

Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick

Set de filmagem de Laranja Mecânica

Uma das obras mais importantes do século XX, com uma crítica social mordaz e um tema de fundo que desperta discussões acirradas, é um livro obrigatório para se ter na estante e um DVD essencial para o conjunto.

O livro fez 50 anos em 2012 e ganhou uma edição muito boa da Editora Aleph, com ilustrações de Dave McKean (o cara que desenha Sandman), Oscar Grilo e Angeli, glossário e um artigo muito esclarecedor escrito pelo próprio Burgess, explicando sua criação.

Espero não ter passado dos limites dessa vez. Leiam tomando muito leite e escutando a 9ª Sinfonia de Beethoven no volume máximo!

Inspiração do dia

Há muito tempo a inspiração do dia não aparece por aqui, né? Hoje eu precisei mostrar essa foto maravilhosa abaixo, que faz parte da campanha de março/2013 da marca Free People. Adoro as campanhas deles! *_* Vale a pena dar uma olhada nas outras imagens.