“A literatura está deplorável. Os humoristas, profundos. O mal da literatura brasileira é que nenhum escritor sabe bater um escanteio.”
Deixe de lado todos os preconceitos, dispa-se de toda a hipocrisia!

(Nelson Rodrigues: 23 agosto 1912 – 21 dezembro 1980)
É com esse espírito, que você deve começar a ler A Vida Como Ela É do grande mestre Nelson Rodrigues. Conhecido como o “anjo negro”, Rodrigues descreve a vida cotidiana do brasileiro dos meados do século passado; mas sua narrativa crua e objetiva e sem qualquer traço de barreiras morais apresenta ao leitor aquilo que ele já sabe muito bem: o submundo dessa vida cotidiana, com suas infidelidades, amoralidades, monstruosidades, em suma, a vida!
O livro é a compilação de crônicas diárias publicadas originalmente no jornal Última Hora em sua coluna. E o que vemos é a sociedade sem qualquer máscara de moralidade: garotinhas que insistem em seduzir o namorado da irmã; mulheres infiéis que buscam seus amantes entre aqueles mais grossos e sujos estivadores do cais ou entre os passageiros de um ônibus e muitas outras histórias, que podem muito bem ter acontecido uma vez com você.
Muitas das histórias ficaram tão célebres, que já compõe o imaginário popular brasileiro. Prefiro não comentar das crônicas em si, pois tiraria qualquer gosto do leitor de desvendar as páginas recheadas de surpresas.
Seus textos são um tiro na hipocrisia da família burguesa tradicional, pois mostra como todos são propensos às agruras da vida; sem contar que seu jeito de escrever é apaixonante, pois é simples e direto. São aulas de narrativa e construção de personagens de forma rápida e crua, mas de uma profundidade ímpar.
Rodrigues é um dos autores mais importantes do último século – jornalista, escreveu, além das crônicas, peças de teatro e romances e é pai de frases célebres e emblemáticas.
Várias das crônicas foram adaptadas magistralmente pele Rede Globo (passava no Fantástico lá nos idos anos 90) de forma a transpor para a telinha toda a atmosfera dos contos. Vale a pena procurar e assistir alguns.
O livro foi reeditado recentemente e em uma edição de bolso, bem em conta para as nossas carteiras. Aproveite a oportunidade e se delicie com as desventuras que poderiam ser protagonizadas por qualquer um. É para ser apreciado junto a uma caninha e ao som de Nelson Gonçalves, Dalva de Oliveira e outras pérolas dessa época.
Retire a máscara da hipocrisia e alimente a realidade.








































Tem 23 anos, é aquariana e idealizadora do blog. Uma amapaense que mora em Belo Horizonte e está fazendo intercâmbio em Lisboa. Vive em constante mudança: de casa e de visual. Adora viajar, ler e descobrir coisas novas. É entusiasta da moda e da fotografia. 





























